Bicicletas como meio de transporte

Quando se fala em mobilidade urbana, estudiosos e urbanistas sugerem pautas a serem discutidas na sociedade. Questões como “qual será a prioridade de um município?” devem ser debatidas e esclarecidas para toda a população. Esse tipo de debate cria alguns conflitos de interesse e naturalmente alguns se sentem prejudicados em detrimento de outros. Mas no final o que importa é que a sociedade se desenvolva.

O uso do carro foi, ao longo dos anos, mais do que um meio de transporte. Ter um automóvel era também uma questão de status. As cidades brasileiras seguiram um modelo americano de desenvolvimento que priorizou o carro como meio principal de transporte, ampliando avenidas, viadutos e estradas para que as pessoas pudessem se locomover com mais agilidade. O problema desse modelo é que quanto mais espaço você cria para carro, mais carro vai ter. Com a indústria automobilística a todo vapor, com os incentivos do governo e com a facilidade da compra, as pessoas foram aderindo ao automóvel até que se chegasse ao caos dos grandes centros urbanos. Os pedestres ficaram em um segundo plano e o transporte público sempre atrasado em relação à demanda. Resultado… caos total!

A bicicleta que nunca foi encarada como uma opção de transporte passou a ser uma verdadeira opção para cidades como Nova York, Portland e até São Paulo. O que desacelera o seu uso no Brasil é a falta de estrutura e incentivo ao ciclista e a melhor maneira de se fazer isso é oferecer uma cidade adaptada e segura para quem vê na magrela um opção de locomoção.

A bike, para ser muito direto, oferece muito mais vantagem do que as pessoas imaginam. Ela promove a saúde, a agilidade, o bem estar, mas o que faz dela uma mudança significativa no cenário urbano é experiência que ela promove para o ciclista. Ele interage com os sons, as cores, a temperatura e com isso ele se integra ao entorno, muito diferente da bolha individual que o carro fomenta. Dizer que ela ocupa menos espaço é redundância. O que se pode falar é que a cidade precisa priorizar as pessoas e reduzir o papel do carro como meio de transporte.

Segundo a prefeitura de São Paulo, em 2015, serão mais de 400km construídos pensando na mobilidade dos ciclistas. Mas apesar das melhorias no transporte, ainda restam algumas dúvidas tanto para quem está na bike quanto para o motorista do carro. Existem leis que ditam deveres e direitos para os ciclistas, mas existe uma fiscalização na aplicação dessas leis? Normas como a sinalização com os braços ou a utilização de roupas que brilhem à noite, são o tempo todo cumpridas? O sistema de fiscalização ainda é falho, o ciclista acaba por precisar cuidar de sua própria segurança e sobrevivência, assim como os carros, que agora devem estar atentos o tempo todo à movimentação das, cada vez mais presentes, bicicletas.

A construção das ciclovias é parte de uma série de medidas para se encontrar  solução dos problemas da mobilidade, mas apesar de ser uma ótima opção técnica, ela pode, ou não, ser a escolha mais segura. Existem situações em que é mais apropriado ter uma ciclofaixa ou apenas uma ciclorrota, com sinalização e o trânsito partilhado. Deve se levar em conta o fluxo, a região e a via que receberá o projeto.

A melhor maneira de aproveitar o investimento que está sendo feito para o uso das bicicletas é sempre conhecer, respeitar e compartilhar a legislação. #voudebike #vouseguro