Empreendedorismo criativo e as novas maneiras de transformar a vida na cidade

No dia 17 de abril, no terceiro encontro do nosso ciclo de palestras e debates Reflexões Urbanas, recebemos Lourenço Bustani, CEO da consultoria de inovação consciente Mandalah, e Denis Russo Bugierman, diretor de redação das revistas Superinteressante e Vida Simples, para conversar sobre novas maneiras de transformar a vida na cidade.

O objetivo dessa conversa foi discutir formas diferentes de atuar no espaço público, como o empreendedorismo criativo, com soluções que incluam as pessoas e seus desejos.

Logo no início de sua fala, Lourenço mostrou um diagrama com dois círculos se intersectando, um deles denominado lucro e o outro propósito. Justamente na intersecção dos dois, está o território fértil em que sua empresa Mandalah atua, para gerar prosperidade e valor e ao mesmo tempo em que cria benefícios para a sociedade, produzindo assim um valor compartilhado. Segundo ele, “somos muito mais do que consumidores, somos seres humanos, cidadãos”.

Lourenço apresentou algumas metodologias de trabalho e cases da Mandalah, sobre empresas que através de seus produtos e serviços ajudam as pessoas a terem mais discernimento para tomarem decisões que de fato são do melhor interesse delas. Esse conceito de empoderamento é parte essencial do trabalho de inovação consciente. Para realizar esse trabalho a Mandalah conta com equipes multidisciplinares, que atuam a partir da ideologia de que diálogo e sensibilidade, usados com sutileza e compaixão ao próximo, fazem a diferença, pois fazem o mundo ficar mais plural e melhor.

Segundo a visão inovadora de Lourenço, através de estudos profundos para entender quais as necessidades que não estão sendo atendidas, você pode desenvolver tecnologias que conseguem mudar o padrão de comportamento e criar um contexto de vida mais mais próspero para as pessoas. Ao ajudar empresas a direcionarem seus investimentos para a construção proativa de um futuro mais favorável, a Mandalah criou ações que têm muita relevância no âmbito do espaço urbano, desde o mapeamento das necessidades de mobilidade urbana de um cidadão, até reflexões sobre como uma montadora pode minimizar os efeitos causados pelo excesso de carros em centros urbanos.

É fato que existem muitas ineficiências sistêmicas no Brasil, que segundo Lourenço tornam qualquer alternativa ao carro pouco viável. Ainda segundo ele, a virada de chave tem a ver com uma noção de mobilidade que transcende o transporte em si, por exemplo, é possível que pelo uso de novas tecnologias as pessoas talvez não precisem se locomover tanto. Ele explicou o conceito de “human smart cities”, cidades inteligentes pensadas para o ser humano, com uma cultura aberta, um design centrado no indivíduo, valor compartilhado (ganha-ganha), foco em serviços, gestão proativa e uma qualidade “glocal”, ou seja, que entende as particularidades locais, mas ao mesmo tempo mantém uma relevância global.

A conversa com Denis Russo Bugierman foi um bate-papo super agradável sobre o ponto de vista de um cidadão, ciclista, que olha para a imensidão e a brutal complexidade de São Paulo e vê suas contradições e seus potenciais. Denis comentou a palestra de Lourenço e fez uma constatação fundamental: “o trabalho de transformar uma cidade não é só de urbanistas, o trabalho de planejar São Paulo não é só do poder público”.

As palestras e o debate foram muito enriquecedores e esperamos que essas reflexões possam sempre se ampliar e se propagar! Para quem não pôde estar presente, e como forma de registrar o evento, produzimos este vídeo com os trechos mais importantes de cada fala. Os comentários serão muito bem-vindos!